Cecan | Centro do câncer Santa Casa de Piracicaba

Depoimentos

Adriana Reicle
30 anos
Profissão: Técnica de Enfermagem

Meu nome é Adriana Reicle, tenho 30 anos e aos 29 fui diagnosticada com câncer de mama.
Devido ao fato de eu ser nova, o diagnóstico foi um pouco demorado, mas Graças a Deus, logo que passei com o Dr. Sergio Bruno ele me deu o diagnóstico. Daí eu sabia que ia começar a batalha. Por isso que é muito importante realizar os exames de rotina, para que se possa ter um diagnóstico precoce, facilitando assim o tratamento.
Antes da cirurgia, fiz o congelamento dos meus óvulos, pois não tenho filhos e como o tratamento é agressivo, achei melhor garantir.
Em janeiro (de 2014) fiz a cirurgia de quadrantectomia, que foi um sucesso. A recuperação foi tranquila e com 15 dias de cirurgia eu estava de volta ao trabalho! Sim, eu continuei trabalhando para me manter ativa, achei melhor assim.
Logo comecei com as quimioterapias. Nossa, como sofri com as vermelhinhas! Passava sempre super mal, mas não me abati. Fazia meu repouso necessário e voltava com minha rotina.
Fiquei carequinha e adotei minha peruca que chamava de “Chiquinha”! Depois que acabaram as vermelhas, tudo ficou mais tranquilo; vieram as quimios brancas, as radioterapias e agora estou com as vacinas.
Claro que foi um choque quando recebi o diagnóstico; ter que dar este tipo de notícia para a família, os amigos e imaginar tudo que vem pela frente não é fácil. Mas sempre fui da opinião de que tudo tem um lado bom e percebi que com a doença não era diferente.
Comecei a dar mais valor às coisas simples da vida, sofrer menos com os problemas simples do cotidiano, buscar uma vida mais saudável, ser mais espiritualista, ter mais fé...
Hoje me sinto muito feliz e vejo que só tenho que agradecer por tudo... minha vida abençoada, minha família, meu marido, meus amigos que estão sempre do meu lado me apoiando e me dando amor e carinho.
Agradeço também todos os profissionais que me acompanharam e veem me acompanhando: Dr. Paulo Serra, Dr. Sergio Bruno, Dra. Mary, técnicos de enfermagem da Unimed e do Cecan... todos vocês sempre serão muito importante sem minha vida e estarão sempre em meu coração. Obrigada!

Eliene Silva Santos
45 anos
Mudei minha vida depois de passar por um câncer

Aquele era um momento bom em minha vida, tudo transcorria normalmente, estava com 41 anos, havia me casado novamente, dois filhos adolescentes, trabalhava como confeiteira numa padaria, estava feliz.

Um dia começo a sentir uma coceira pelo corpo todo, fiz tratamento, mudei de emprego, pois meu trabalho era muito estressante, achei que tudo estava resolvido, foi quando senti um caroço na mama. Começou uma corrida, exames e mais exames até a confirmação daquilo que a gente sempre teme. Sim, você está com câncer.

Perdi o chão, abriu um buraco em minha vida, senti que não tinha nenhum controle sobre nada, ilusão nossa pensar que temos. Minha família sempre ao meu lado me dando forças para saber enfrentar tudo o que estaria por vir, ainda era tudo desconhecido. Trabalhei normalmente até o dia da minha cirurgia, não me deixei abater, me joguei nas mãos de Deus. Passei na primeira fase, parecia um vestibular. Eu sempre muito vaidosa, cabelos longos cacheados ia ficar careca, pareceu-me tão terrível, chorei muito, ia contra meu desejo, eu não desejava não ter cabelos, mas isto já estava definido. Minha família como sempre me apoiando. Meu marido solidário a mim também ficou careca, unimos forças.

Quimioterapia, radioterapia, passei por todo tratamento com direito a todos seus efeitos e reações, eu não era diferente de ninguém que havia passado ou passava pela mesma situação de tratamento. Enfim chegou o dia tão esperado, aquelas palavras do médico me fizeram flutuar de alegria, "sua última quimioterapia, depois você só vai fazer o acompanhamento.”

Voltei a trabalhar e fui dispensada. Para quem já desafiou um câncer, o que é procurar outro emprego? Eu havia mudado, queria novos desafios. Fui tirar minha carteira de habilitação, em pleno século 21 e eu não sabia dirigir, percebi que a vida é dinâmica, ela te dá chacoalhões, faz a gente olhar para ela e refletir.

Montei minha própria padaria, minha família uniu mais uma vez todas suas forças e trabalhamos muito. Hoje aos 45 anos, estou num momento muito bom de minha vida, temos nosso próprio negócio, trabalhamos todos juntos, e o mais importante nós aprendemos, que na vida tudo mais cedo ou mais tarde vai se resolver com amor e fé.