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Câncer de ovário desafia diagnóstico precoce, mas avanços ampliam possibilidades de tratamento

Avanços em genética e terapias-alvo ampliam perspectivas no tratamento da doença, alerta o oncologista Fernando Medina

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O médico oncologista Fernando Medina, do Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba

O Dia Mundial do Câncer de Ovário, lembrado em 8 de maio, reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre um dos tumores ginecológicos mais desafiadores da oncologia. Considerado o câncer ginecológico de maior mortalidade, o câncer de ovário ainda apresenta elevado índice de diagnóstico tardio, principalmente pela dificuldade de identificação precoce e pelos sintomas muitas vezes inespecíficos.

Nas fases iniciais, a doença pode evoluir silenciosamente. Quando presentes, os sinais costumam incluir sensação persistente de inchaço abdominal, dor pélvica, alterações urinárias, desconforto digestivo, perda de apetite, fadiga e aumento do volume abdominal — sintomas frequentemente confundidos com problemas gastrointestinais ou alterações clínicas comuns.

Segundo o médico oncologista Dr. Fernando Medina, diretor do CECAN – Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba, essa característica silenciosa continua sendo um dos principais desafios no enfrentamento da doença.

“O câncer de ovário ainda representa um grande desafio justamente porque, em muitos casos, os sintomas surgem de forma discreta e pouco específica. Muitas pacientes acabam procurando atendimento já em fases mais avançadas da doença. Por isso, a atenção aos sinais persistentes e o acompanhamento ginecológico regular continuam sendo extremamente importantes”, destaca.

Entre os fatores de risco mais importantes estão histórico familiar de câncer de ovário ou mama, mutações genéticas relacionadas aos genes BRCA1 e BRCA2, idade avançada, infertilidade, menopausa tardia e obesidade. Mulheres com histórico familiar importante podem necessitar de acompanhamento diferenciado e investigação genética direcionada.

Apesar das dificuldades relacionadas ao diagnóstico precoce, os últimos anos vêm trazendo avanços significativos no tratamento da doença. A oncologia moderna passou a incorporar terapias-alvo capazes de atuar de forma mais específica sobre alterações moleculares presentes em determinados tumores, especialmente nos casos associados às mutações genéticas.

Entre os principais avanços estão os chamados inibidores de PARP, medicamentos que vêm ampliando o controle da doença e aumentando o tempo de resposta ao tratamento em pacientes selecionadas. Paralelamente, estudos envolvendo medicina personalizada, testes genéticos, imunoterapia e inteligência artificial vêm transformando o cenário do cuidado oncológico.

“A oncologia evoluiu muito nos últimos anos. Hoje conseguimos individualizar mais o tratamento, identificar alterações genéticas importantes e definir estratégias terapêuticas mais precisas para determinadas pacientes. Isso tem impacto direto no controle da doença e na qualidade de vida durante o tratamento”, explica Dr. Fernando Medina.

O especialista ressalta ainda que, diferentemente do câncer do colo do útero, o câncer de ovário não é detectado pelo exame de Papanicolau, o que reforça a importância da avaliação clínica e da investigação adequada diante de sintomas persistentes.

A campanha mundial deste ano também reforça a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico, ao tratamento especializado e às novas tecnologias terapêuticas, reduzindo desigualdades e fortalecendo o cuidado integral à saúde da mulher.