Durante muito tempo, o câncer ósseo esteve associado a tratamentos agressivos e, muitas vezes, à amputação do membro acometido. Nas últimas décadas, porém, a evolução da medicina mudou esse cenário. Hoje, avanços científicos e tecnológicos, aliados à atuação de equipes especializadas, permitem tratamentos mais eficazes, personalizados e voltados à preservação da funcionalidade e da qualidade de vida.
Essa é a principal mensagem do Julho Amarelo, mês de conscientização sobre o câncer ósseo. Mais do que alertar para uma doença rara, a campanha evidencia os avanços da oncologia e as novas perspectivas oferecidas aos pacientes.
Segundo a oncologista clínica Mariana Eleutério, do CECAN – Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba, um dos maiores progressos está na individualização do tratamento. “Cada tumor apresenta características próprias e cada paciente possui necessidades específicas. Por isso, o planejamento terapêutico considera o tipo e a extensão da doença, além da idade e das condições clínicas, permitindo definir a estratégia mais adequada para cada caso”, disse. Essa abordagem combina, de forma integrada, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e outras terapias sistêmicas.
Outro avanço importante está nas cirurgias ortopédicas oncológicas. Se antes a amputação era frequente, hoje muitos pacientes podem preservar o membro por meio de técnicas reconstrutivas, endopróteses e enxertos ósseos, favorecendo a recuperação física, emocional e o retorno às atividades diárias.
Para a especialista, esses resultados refletem a atuação multidisciplinar. “O tratamento envolve oncologistas, ortopedistas oncológicos, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e assistentes sociais. O cuidado deixa de estar centrado apenas no tumor e passa a considerar o paciente de forma integral.”
Outro destaque é a medicina de precisão. Embora nem todos os tumores ósseos contem com terapias-alvo, exames cada vez mais sofisticados permitem compreender melhor o comportamento da doença e direcionar tratamentos mais individualizados.
Apesar dos avanços, a Dra. Mariana ressalta que a identificação precoce continua sendo decisiva. “Dores ósseas persistentes, principalmente quando aumentam progressivamente ou surgem sem causa aparente, devem ser avaliadas por um médico. Na maioria das vezes não estarão relacionadas ao câncer, mas somente a investigação especializada permite esclarecer o diagnóstico”, apontou.
Ela destaca ainda que informação também é uma ferramenta de cuidado. “A oncologia evoluiu muito. Hoje oferecemos tratamentos mais seguros, personalizados e humanizados, ampliando as perspectivas terapêuticas e a qualidade de vida dos pacientes”.