Médico radioterapeuta Fábio Furlanetto, do CECAN (Centro do Câncer de Piracicaba), reforça que abandonar o cigarro traz benefícios à saúde mesmo depois de décadas de tabagismo
Sim. Nunca é tarde para parar de fumar. Mesmo depois de décadas de tabagismo, interromper o consumo reduz a exposição contínua às substâncias tóxicas e cancerígenas do cigarro e traz benefícios para a saúde. Quanto mais cedo, melhor, mas parar em qualquer momento vale a pena.
Sim. O risco não desaparece imediatamente, porque os efeitos de muitos anos de exposição permanecem por algum tempo, mas diminui progressivamente. No câncer de pulmão, por exemplo, quanto maior a intensidade e o tempo de exposição ao tabaco, maior o risco.
É uma ideia equivocada. Continuar fumando significa manter diariamente o organismo exposto às substâncias tóxicas e cancerígenas do tabaco. Quando a pessoa para, interrompe essa exposição e os benefícios começam a aparecer.
Não. O tabagismo está associado a diversos tipos de câncer, entre eles os de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero e intestino, além de leucemia mieloide aguda.
Não. Fumar pouco ou apenas socialmente não torna o hábito seguro. A exposição ao tabaco traz riscos à saúde e, de maneira geral, quanto maiores o tempo e a intensidade do consumo, maior a exposição às substâncias cancerígenas.
Sim. Parar de fumar continua trazendo benefícios mesmo depois do diagnóstico. Além de interromper a exposição às substâncias tóxicas do cigarro, abandonar o tabagismo favorece a condição geral de saúde e pode contribuir para o tratamento e a recuperação do paciente.
Sim. Quem não fuma, mas convive com a fumaça do cigarro, também inala substâncias tóxicas e cancerígenas. A exposição passiva está relacionada, entre outros problemas, ao aumento do risco de câncer de pulmão.
Eles não são inofensivos. Podem conter nicotina, que causa dependência, além de outras substâncias tóxicas. Já existem evidências de diferentes danos à saúde associados ao uso desses dispositivos, enquanto seus efeitos de longo prazo continuam sendo estudados.
Tosse persistente ou que muda de característica, falta de ar, rouquidão, dor no peito, sangue no escarro e perda de peso sem explicação merecem avaliação médica, principalmente quando persistem. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas não devem ser ignorados.
Sim. O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão e permanece fortemente associado ao desenvolvimento da doença.
Em 2025, o câncer de pulmão representou 7% dos 1.330 novos casos atendidos pelo CECAN, o equivalente a 93 pacientes. Entre esses casos, 90% eram de fumantes, com consumo médio de dois maços de cigarro por dia. Os números mostram, na própria realidade do serviço, a forte relação entre o tabagismo e o câncer de pulmão.
Vale a pena tentar novamente. A dependência da nicotina pode exigir acompanhamento e tratamento. Não conseguir parar sozinho não significa que seja impossível. Existem estratégias e apoio profissional que podem ajudar nesse processo.
Neste 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, o alerta do CECAN é especialmente dirigido a quem acredita que, depois de muitos anos de tabagismo, abandonar o cigarro já não fará diferença. Interromper o consumo significa deixar de acrescentar diariamente uma nova exposição às substâncias tóxicas e cancerígenas do tabaco e começar a construir benefícios para a saúde.