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Fumo há mais de 30 anos; adianta parar agora?

No Dia Nacional de Combate ao Fumo (29.08), o médico radioterapeuta Fábio Fulanetto, do CECAN (Centro do Câncer de Piracicaba), explica por que abandonar o cigarro traz benefícios mesmo depois de décadas de tabagismo e aborda os impactos do hábito na prevenção e no tratamento do câncer

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Médico radioterapeuta Fábio Furlanetto, do CECAN (Centro do Câncer de Piracicaba), reforça que abandonar o cigarro traz benefícios à saúde mesmo depois de décadas de tabagismo

1. Uma pessoa que fuma há 20, 30 ou 40 anos ainda se beneficia se parar agora?

Sim. Nunca é tarde para parar de fumar. Mesmo depois de décadas de tabagismo, interromper o consumo reduz a exposição contínua às substâncias tóxicas e cancerígenas do cigarro e traz benefícios para a saúde. Quanto mais cedo, melhor, mas parar em qualquer momento vale a pena.

2. O risco de câncer diminui depois que a pessoa deixa de fumar?

Sim. O risco não desaparece imediatamente, porque os efeitos de muitos anos de exposição permanecem por algum tempo, mas diminui progressivamente. No câncer de pulmão, por exemplo, quanto maior a intensidade e o tempo de exposição ao tabaco, maior o risco.

3. E aquela ideia de que “o estrago já está feito”?

É uma ideia equivocada. Continuar fumando significa manter diariamente o organismo exposto às substâncias tóxicas e cancerígenas do tabaco. Quando a pessoa para, interrompe essa exposição e os benefícios começam a aparecer.

4. O cigarro provoca apenas câncer de pulmão?

Não. O tabagismo está associado a diversos tipos de câncer, entre eles os de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero e intestino, além de leucemia mieloide aguda.

5. Existe uma quantidade segura de cigarros?

Não. Fumar pouco ou apenas socialmente não torna o hábito seguro. A exposição ao tabaco traz riscos à saúde e, de maneira geral, quanto maiores o tempo e a intensidade do consumo, maior a exposição às substâncias cancerígenas.

6. Se a pessoa já tem câncer, ainda vale a pena parar?

Sim. Parar de fumar continua trazendo benefícios mesmo depois do diagnóstico. Além de interromper a exposição às substâncias tóxicas do cigarro, abandonar o tabagismo favorece a condição geral de saúde e pode contribuir para o tratamento e a recuperação do paciente.

7. O fumante passivo também corre riscos?

Sim. Quem não fuma, mas convive com a fumaça do cigarro, também inala substâncias tóxicas e cancerígenas. A exposição passiva está relacionada, entre outros problemas, ao aumento do risco de câncer de pulmão.

8. E os cigarros eletrônicos e vapes? São menos prejudiciais?

Eles não são inofensivos. Podem conter nicotina, que causa dependência, além de outras substâncias tóxicas. Já existem evidências de diferentes danos à saúde associados ao uso desses dispositivos, enquanto seus efeitos de longo prazo continuam sendo estudados.

9. Quais sintomas devem chamar a atenção de fumantes e ex-fumantes?

Tosse persistente ou que muda de característica, falta de ar, rouquidão, dor no peito, sangue no escarro e perda de peso sem explicação merecem avaliação médica, principalmente quando persistem. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas não devem ser ignorados.

10. O tabagismo ainda está muito presente entre pacientes com câncer de pulmão?

Sim. O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão e permanece fortemente associado ao desenvolvimento da doença.

11. Qual é a realidade do CECAN em relação ao câncer de pulmão?

Em 2025, o câncer de pulmão representou 7% dos 1.330 novos casos atendidos pelo CECAN, o equivalente a 93 pacientes. Entre esses casos, 90% eram de fumantes, com consumo médio de dois maços de cigarro por dia. Os números mostram, na própria realidade do serviço, a forte relação entre o tabagismo e o câncer de pulmão.

12. O que dizer para quem fuma há décadas e acha que não consegue mais parar?

Vale a pena tentar novamente. A dependência da nicotina pode exigir acompanhamento e tratamento. Não conseguir parar sozinho não significa que seja impossível. Existem estratégias e apoio profissional que podem ajudar nesse processo.

Neste 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, o alerta do CECAN é especialmente dirigido a quem acredita que, depois de muitos anos de tabagismo, abandonar o cigarro já não fará diferença. Interromper o consumo significa deixar de acrescentar diariamente uma nova exposição às substâncias tóxicas e cancerígenas do tabaco e começar a construir benefícios para a saúde.